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Excursão à Reserva Sossego do Muriqui comemora 34 anos da AMA

Simonésia

17/09/2021 12h48 Atualizada há 1 mês
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Por: Redação
Excursão à Reserva Sossego do Muriqui comemora 34 anos da AMA

Uma excursão à Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sossego do Muriqui celebrou o 34º ano de criação da Associação dos Amigos do Meio Ambiente (AMA). A trajetória da entidade de preservação da biodiversidade da Mata Atlântica começou em 1984 e formalizou-se três anos depois, a partir da descoberta do muriqui em matas de Simonésia.

Guiados pelo ambientalista e presidente da AMA, Eduardo Bazém, um grupo de pesquisadores, ambientalistas e apaixonados pelo meio ambiente visitou a reserva Sossego do Muriqui. Muitos puderam conhecer parte da extensa floresta pela primeira vez, recompensados com a aparição de inúmeros muriquis. Foi um saudável passeio com pessoas especiais.

Filme e muriquis

A fundação da AMA (Associação dos Amigos do Meio Ambiente) está intimamente ligada à preservação do muriqui-do-norte, do maciço conhecido como Mata do Sossego e de toda a biodiversidade da mata atlântica na região.

“Estivemos aqui pela primeira vez em abril de 1984 e três anos depois fundamos a AMA, uma entidade ambiental, que acredito foi a pioneira na região do Leste Mineiro. A AMA nasceu com o objetivo de realizar ações em prol tanto da Mata do Sossego, quanto da biodiversidade da mata atlântica regional. Felizmente, embora todos os desafios que encontramos ao longo dessa caminhada, muitas conquistas foram obtidas e estamos aqui hoje comemorando o que a AMA sempre pregou, que é a promoção de ações ambientais educativas. Nós acreditamos que somente com a participação do ser humano, conhecendo e vivenciando no dia-a-dia de uma floresta, ela pode ser respeitada e preservada”, reforça Eduardo Bazém.

Os macacos tão especiais foram descobertos quase que por acaso. Na década de 80, havia em Manhuaçu o Cineclube Limite, onde eram exibidos filmes do circuito não comercial. Foi numa das oportunidades que Bazém apresentou o filme, em inglês, “O apelo do muriqui”. A partir disso, chegaram informações de alguns amigos, como Geraldinho da Vacina, Geraldo Juvenal, José Mineirinho e outros, de que havia esse macaco – personagem principal daquele filme - numa mata em Simonésia.

“Promovemos uma excursão, igual a essa, em abril de 1984. Foi uma jornada cansativa. Ficamos o dia todo na mata. Pude fotografar um bando de muriquis. Eram fotos em papel e enviei para o departamento de primatologia da UFMG. O pesquisador Célio Vale atestou que eram muriquis. Foi um trabalho que começou por essas coincidências, meio acidental, mas que foi se consolidando quando ninguém nem falava sobre preservação do meio ambiente”, relembra.

Preservação

Bazém conta que tudo o que fizeram, rendeu diversos frutos, tanto no campo da pesquisa, quanto no campo da preservação ambiental. “Eu falo que faria tudo novamente, se preciso fosse. Valeu e continua valendo a pena. Prova disso que, após 34 anos, estamos aqui diversos jovens e crianças que acreditam e estão vendo que vale preservar numa causa. É muito motivador ver as novas gerações, novos adeptos que irão continuar esse trabalho”.

O maior resultado é justamente a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural Sossego do Muriqui. A área tem 339 hectares e foi adquirida pela Mineração Curimbaba no início dos anos 2000. Em 2018, foi transformada em reserva protegida e registrada no Instituto Estadual de Florestas (IEF).

“Nunca deixamos de promover ações em prol do muriqui. Havia somente a Mata do Sossego preservada. No final da década de 90, anos depois da primeira movimentação, ficamos sabendo de um desmatamento aqui. Viemos com moradores e a Polícia Militar de Meio Ambiente e conseguimos parar um trator que estava derrubando árvores. Nos anos seguintes, fizemos contatos com a Mineração Curimbaba e ela se sensibilizou com a causa da preservação do meio ambiente. Voluntariamente, a empresa comprou a área de 339 hectares, impediu o desmatamento e garantiu a preservação de toda essa área de mata atlântica”.

O ambientalista Eduardo Bazém reconheceu a atitude da empresa como um ato concreto em favor do meio ambiente. “Eles garantiram a preservação de uma área de mata atlântica primária, habitat de muriquis e uma enorme diversidade de espécies e de plantas. É uma região rica de nascentes que irrigam terras produtivas e formadora de mananciais que abastecem a cidade. É uma atitude que outras empresas, tanto da nossa região, quando fora daqui, adotassem essa postura, a natureza e o meio ambiente só teriam a ganhar. Podemos conciliar a exploração com o desenvolvimento sustentável. Temos equipamentos, carros, celulares, enfim, em tudo a mineração está presente. Os produtos minerais são utilizados na agricultura. Então, é preciso agir, fiscalizar e dialogar.”, pontua.

Expedição

A expedição foi uma oportunidade para reunir amigos e apoiadores da AMA. Havia participantes de Manhuaçu, Simonésia, Luisburgo, Ipanema, Durandé, Caputira e Conceição de Ipanema. Gente da época da fundação e novas gerações.

A RPPN Sossego do Muriqui já tem sido espaço de pesquisa e educação ambiental respeitando o meio ambiente.

Em um futuro próximo, a expectativa é estruturar uma base de campo para apoio aos pesquisadores e também um centro de educação ambiental e comunitário.

Observadores de aves e biólogos falaram de espécies encontradas no local. Também houve a participação de especialistas em turismo ecológico e ambientalistas. Todos foram unânimes em ressaltar a importância da preservação da RPPN Sossego do Muriqui.

A caminhada pela mata foi até um dos pontos mais altos da cadeia de montanhas da reserva. O grupo ainda foi presenteado com a observação de vários muriquis.

Morador de Simonésia e um dos defensores do muriqui, o ambientalista Nilim agradeceu a Deus, nesse momento em que enfrentamos uma pandemia, e a todos pela presença e apoio no projeto de preservação. “Sei que vários colegas vieram aqui não sabem a luta que foi para preservar essa área. No passado, muitas pessoas abusaram de mim e do Bazém. Somente vinham com críticas para cima de nós. Até algumas entidades nos criticavam. Silenciosamente, como formiguinhas, fizemos nosso trabalho. Essa luta ainda continuará e não vamos deixar esse trabalho morrer. Temos crianças aqui que irão seguir o nosso projeto”.

Anos atrás, quando ainda sonhava com o projeto, a equipe da AMA falava que o futuro seria a preservação dessa reserva. Hoje, eles se orgulham em dizer que o esforço conjunto se concretizou no presente.

Carlos Henrique Cruz - Redação do Portal Caparaó - Fotos Davi Oliveira - Plínio Póvoa - Eduardo Bazém

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